Comunidade ELA - Portugal

___________________ Ponto de Encontro - Esclerose Lateral Amiotrofica - Portugal

Depois de ter recebido a minha partilha deste assunto, sobre estas recomendações do Oxigénio, a nossa Zézinha Romão pediu-me para partilhar isto convosco, já que devido à data que atravessa neste momento, as recordações são muito punjentes, para nelas estar a remexer em demasia.

Este desabafo foi ontem escrito. E não dá para resumir, nem tão pouco se deve resumir, pois é mesmo marcadamente importante!

então aqui deixo para todos analisarem....

In Memoriam



Zézinha Romão

  • Na sexta-feira dia 21 de Janeiro de 2011a D.Catarina da Linde, chegou à nossa casa às 8h e pouco da manhã e esteve até depois das 13h, entretanto eu chamei a enfermeira e elas estiveram a tentá-lo convencer a ir ao hospital, porque o meu maridão estava com gripe e apesar de estar a tomar antibiótico, não estava melhor, por isso a enfermeira dizia se ele fosse ao hospital levar antibiótico intravenoso, que se curava mais rápido, ao que ele dizia que não queria e se fosse para o hospital era para morrer (ele tinha pavor do hospital e de ficar longe de mim), elas diziam que ele não ficava lá, que só ia e vinha logo, mas ele nem queria pensar no assunto.

    No domingo a enfermeira veio ver como ele estava e continuou a dizer-lhe a mesma conversa de sexta, ele continuava a não querer.

 Nessa noite os meus cunhados vieram visitar-nos e não paravam de dizer para ele ir ao hospital para ele não ter medo que os médicos deixavam-me ficar com ele, ele só dizia que não queria, mas tanto insistiram que ele mais tarde disse "amanhã vou!".

eles ficaram satisfeitos por ele concordar, só que passado algum tempo ele começou a rir e não parava de rir, então a minha cunhada perguntou se ele estava a gozar com eles e ele piscou os olhos afirmando que sim, porque ele só tinha concordado para não o chatearem mais.


 Na segunda-feira de manhã, eu disse-lhe que também achava que ele devia de ir ao hospital, porque apesar de estar a tomar antibiótico não estava a melhorar, e que o Fernando Catarino não se tinha tratado e aconteceu-lhe o pior e eu não queria que isso acontecesse com ele.

Então por volta das 9h da manhã ele lá disse que estava disposto a ir, só sei que cada vez que eu dizia que ia chamar o INEM, ele arranjava sempre uma desculpa, ou queria “falar” ou ir à casa de banho, ou queria água, etc…, já passava das 17h quando eu consegui chamar o INEM, quando os bombeiros chegaram quiseram logo lhe pôr o oxigénio!

 Eu disse-lhes que ele não podia levar oxigénio, e apesar de eu implorar para não o porem, eles teimaram que tinha que ser assim, só sei que assim que lho puseram ele ficou como morto, na ambulância eu fui todo o caminho massajando-lhe o peito, o bombeiro aflito fartava-se de ligar, que era para virem ter connosco ao caminho para o reanimarem, mas ninguém atendia.

  • O hospital fica a 32km da minha casa e só quando estávamos quase a chegar é que atenderam mas já não valia a pena, lá reanimaram-no e meteram-lhe novamente o oxigénio eu disse à enfermeira e ao médico que ele não podia levar oxigénio e que tinha ali o bipap para lho colocarem, não me passaram cartão e eu levei toda a noite com o bipap e sempre a refilar por não lho porem.

  •  Por volta da uma da manhã lá aceitaram o bipap olharam para ele e simplesmente guardaram-no.

 Na terça-feira de manhã telefonei à Catarina da Linde, a explicar-lhe o que se estava a passar e ela disse logo que vinha para Santiago do Cacém, eu disse-lhe que achava que não era preciso e dei-lhe o nº do telefone do SO para ela explicar-lhes o que tinham que fazer, só se eles não a atendessem é que ela depois vinha.

Telefonou-me a seguir a dizer que já estava tudo resolvido e que já lhes tinha explicado como haviam de fazer. Quando cheguei ao pé dele já estava com o bipap.

Eu sabia que eles não podiam levar oxigénio, mas não sabia porquê, então telefonei à Beatriz Branco e perguntei-lhe e ela disse que o bipap ajuda o diafragma a funcionar inspirando e expirando, enquanto o oxigénio actua como uma bomba, porque eles não conseguem expelir o ar e o dióxido de carbono acaba por os matar é o mesmo que pô-los num quarto fechado com uma braseira e deixá-los morrer asfixiados.

Penso que é mais ou menos assim não sei explicar bem. No seguinte site explica + ou - o que a Beatriz me disse naquela altura.

Infelizmente ele tinha razão foi para o hospital para morrer, porque se eu não tivesse chamado o INEM, de certeza que não tinha partido naquela altura.


Enquanto em casa estava sempre a ser aspirado, que era para não asfixiar com a saliva, no hospital esteve sempre aflito com a saliva e eu pedia para o aspirarem ou deixarem-mo fazer e elas não o permitiam.

Que raiva que dá só de pensar nisso!!!

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Respostas a este tópico

Agora sim está completo.........

o que está sublinhado e a negrito fui eu que fiz .

Entendo a dor que isto terá causado a Zézinha Romão escrever, mas pena foi não termos sabido disto mais cedo....

Como diz o vitor seria adequada uma acção judicial por desleixo e desobediência à sabedoria do cuidador!

Zézinha eu vou aqui tentar encontrar a foto que relata o momento em que todos os que estavamos presentes ouvimos que não deviamos receber oxigénio!nós registámos inconscientemente ........

Foi no Dia da ELA EM 2009 NO PAVILHÃO DO CONHECIMENTO!

grande xi-coração

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