Comunidade ELA - Portugal

___________________ Ponto de Encontro - Esclerose Lateral Amiotrofica - Portugal

MEDICINAS ALTERNATIVAS na ELA

Existe alguma evidência científica do seu benefício?

  

Apesar dos muitos avanços científicos que têm pautado a investigação na Esclerose Lateral Amiotrófica nos últimos anos, ainda hoje se desconhecem os mecanismos envolvidos na origem e progressão desta doença devastadora. Incapaz de desenvolver um medicamento capaz de curar ou, no mínimo, travar a progressão da doença, a Medicina Ocidental depara-se com doentes e familiares desesperados que procuram um rasgo de esperança em medicinas alternativas, de natureza empírica e especulativa, sem qualquer prova científica do benefício pretendido.  Neste contexto, múltiplos exemplos mais remotos ou recentes se podem apontar, distintos das investigações científicas sérias que nos últimos anos se têm igualmente produzido e que abordaremos sucintamente nesta e em pequenas considerações futuras. Para já abordamos três que têm recentemente preocupado os doentes.

 

P´la Comissão Científica da APELA

Susana Pinto

Mamede de Carvalho

1 – “DIETA PALEOLÍTICA” ou “DIETA do PALEOLÍTICO”

A “Dieta do Paleolítico” assenta na ingestão do tipo de alimentos consumidos pelos nómadas caçadores-recolectores, antes da descoberta do fogo. Nessa altura, os nossos antepassados alimentavam-se de carne de caça e peixe (ingeridos crus), mariscos, insectos, ovos, raízes, folhas e frutos silvestres, bagas e sementes de oleaginosoas. Deste modo, a Dieta do Paleolítico exclui os seguintes alimentos: Açúcar ou alimentos adoçados; Leite e derivados; Cereais e alimentos produzidos com cereais; Batata ou batata doce; Leguminosas, incluindo feijão, soja e lentilhas. Segundo alguns defensores desta alimentação, os doentes com ELA devem ingerir diariamente 9 tigelas de vegetais e frutas coloridas – 3 de folhas verdes (como rúcula, couve, espinafres e dente de leão verde); 3 de vegetais coloridos e frutas (cores defendidas: verde, vermelho, amarelo/ laranja, azul/ roxo/ preto) e 3 de vegetais ricos em enxofre (família do repolho, da cebola e do cogumelo).  

Qual a evidência científica desta dieta na ELA? Nenhuma. E a par da aberração conceptual – a sobrevida média da população humana naquele período era de cerca de 33 anos, particularmente inferior à idade média de início dos primeiros sintomas da ELA (cerca de 60 anos!), devemos evitar uma exploração não apenas económica mas sobretudo intelectual, emocional e física dos doentes com ELA e seus familiares.

Na ELA assiste-se a um emagrecimento progressivo dos doentes (com perda de massa muscular e de massa gorda), resultante de vários factores distintos como a diminuição do apetite, as dificuldades na mastigação e na deglutição e o hipermetabolismo. Segundo um estudo recente publicado na revista Lancet, dietas hipercalóricas serão benéficas nos doentes com ELA (Wills A-M et al, 2014).  

2 - “TERAPIA SINTÓNICA”

A “Terapêutica sintónica” foi criada e desenvolvida em Portugal pelo psicólogo Carlos Fugas, numa comunidade de doentes toxicodependentes (droga e álcool). Assenta no “reconhecimento da existência de stress interno do doente”, pela utilização de técnicas como a estimulação e o pensamento simbólico, com o desbloqueio de emoções e a redução do referido stress. Aos doentes é referida a necessidade de realizar, duas vezes por dia, a horas similares, movimentos repetidos alternados envolvendo os membros inferiores, tronco e membros superiores de forma sincrónica.

Na ELA, não se concebe o suporte teórico, pois a doença não resulta de qualquer pulsão que decorra de qualquer conflito interno. Naturalmente, também não há suporte científico para a sua realização, nem qualquer benefício.

3 – ACUPUNTURA na ELA

acupuntura (do latim acus- agulha e punctura- punção) é um ramo da medicina tradicional chinesa e, de acordo com a nova terminologia da Organização Mundial de Saúde (OMS), trata-se de um método de tratamento complementar.

O tratamento consiste na aplicação de agulhas em pontos definidos do corpo, chamados de "Pontos de Acupuntura" que se distribuem sobre linhas denominadas de "meridianos" e "canais". Também são utilizadas outras técnicas, sendo as mais conhecidas a aplicação de calor sobre os meridianos, pressão dos dedos, ventosas e, mais recentemente, a eletroacupuntura (aplicação de uma corrente eléctrica). Fundamentalmente, a técnica não tem variado ao longo dos séculos, em particular no que diz respeito à localização dos meridianos. A sua utilização tem ganho alguns adeptos na dor crónica e refractária, de causa benigna. No entanto, o seu espectro terapêutico têm-se alargado a um vasto conjunto de entidades clínicas, sem qualquer evidência de benefício. É o caso de doenças neurodegenerativas nas quais não há qualquer racional nem evidência que permita compreender ou verificar eventual ganho com este tratamento. 

Exibições: 2229

Responder esta

Respostas a este tópico

De facto a medicina ocidental anda muito longe da medicina oriental e de uma visão holística da saúde. Tem coisas muito boas a medicina ocidental, mas caímos nós, os ocidentais, num sistema de saúde em que as pessoas são cada vez mais potenciais clientes, em que se investe muito pouco na educação para a saúde e não se combatem estilos de vida prejudiciais à saúde, virando-se o combate para coisas pontuais como o tabagismo ou o alcoolismo, mas sempre pela parte de através desses vícios se angariar mais um dinheirinho para os cofres do BPN e do BES, perdão, queria dizer do Estado. É muito pertinente este esclarecimento do Conselho Científico no sentido de referir que não há provas científicas de que estas terapias alternativas fazem algum bem à saúde das pessoas que vivem com ELA. Mas atrever-me-ia a dizer que também não podem ser assim tão más, ou seja, que se juntarmos o que de melhor têm em termos científicos ao que de melhor tem a medicina ocidental em termos científicos, se calhar poderemos atingir bons resultados. Se calhar era bom a APELA um dia destes, depois de estabilizar a vida associativa, organizar umas tertúlias para aproximar estas vertentes de ajuda.

O Conselho Científico é constituído por pessoas que trabalham ou estão directa ou indirectamente ligadas à medicina ocidental, daí não dar-lhes "muito jeito" aceitar as medicinas alternativas de medicina oriental!!

Façam como eu: experimentem! Se resultar, continuem. Se não resultar, esqueção e avancem para outra. 

O que dá resultado numas pessoas, pode não dar noutras... e nem por isso deixa de ser válido.

Em relação ás duas primeiras, nada posso dizer porque não experimentei, embora acredite (pelo que tenho observado) que longos períodos de stress físico e /ou emocional, ajudam a "despertar" a ELA e que ter pensamentos e atitudes positivas, ajudam a "travar" um pouco o avanço da doença, já que uma pessoa deprimida tende a ficar mais parada e não contraria a doença!

Quanto à acupuntura já posso falar pois já fiz e posso atestar que me ajudou a estabilizar a doença não avançando e prova disso, foram os exames que na altura fiz e se mantiveram sem alteração. Ela reequilibra todo o corpo, ajuda-o a funcionar bem e não nos deixa entrar em depressão! Claro está que cada doente é um caso, mas que ajuda, ajuda!!

Preço da consulta dos homens das cavernas =90euros

Preço dos 16 suplementos na farmácia da rua do paleolítico =400 euros

Preço do sintonismo para toxicodependentes = ainda não sei mas vou sabê-lo!!!!!!!

QUE TRISTEZA!!!!!!!!!!!! SHAME ON YOU!!!!!!!!!!!!

RSS

Vídeos

  • Adicionar vídeo
  • Exibir todos

Membros

© 2017   Criado por Pedro Monteiro.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço